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Hemocentro de Brasília registra queda nas doações e alerta para estoques críticos

Por quase quatro décadas, a vida de Elvis Magalhães dependeu de um gesto anônimo. O morador do Guará II nasceu com anemia falciforme e precisou de transfusões de sangue desde os primeiros dias de vida. “Eu fazia transfusão de troca a cada 30 dias. Isso é, tirava em média duas bolsas de sangue e colocava outras três. Foi o que me manteve vivo”, conta o aposentado.

Essa realidade só mudou aos 38 anos, quando ele passou por um transplante de medula óssea. “A doação de sangue é um ato de amor. Atende pessoas com doenças genéticas, pacientes em cirurgia, vítimas de acidentes e qualquer pessoa pode precisar. É uma forma de dizer: eu me importo com você”, resume.

A história de Elvis se repete na vida de milhares de pacientes que dependem da doação de sangue. No Distrito Federal, o cenário exige atenção. Segundo a assistente social da Gerência de Captação de Doadores da Fundação Hemocentro de Brasília, Lara Lisboa, os estoques estão em nível crítico, principalmente dos tipos B positivo e AB negativo.

Os estoques de sangue da Fundação Hemocentro de Brasília estão em nível crítico, principalmente dos tipos B positivo e AB negativo | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Outros, como O positivo, O negativo, B negativo, A positivo e A negativo, também estão baixos. Apenas o tipo AB positivo está em nível regular. “Para tentar sanar essa situação, estamos liberando senha preferencial para os tipos B positivo e AB negativo até o dia 8 de maio, sem necessidade de agendamento. Reforçamos a importância de que os doadores dos demais tipos sanguíneos também realizem o agendamento, para facilitar o fluxo e o atendimento”, afirma.

Nos três primeiros meses deste ano, foram registradas 13.832 doações. O número é menor que o do mesmo período do ano passado, quando houve 14.065 coletas. “Acreditamos que a queda ocorreu por conta dos feriados, quando muitas pessoas viajam, além do aumento de casos de síndromes respiratórias, que acabam dificultando as doações”, diz.

Enquanto isso, a demanda segue alta. No mesmo período, foram realizadas 19.848 transfusões na rede hospitalar atendida pelo Hemocentro. “Com os estoques baixos, temos dificuldade em garantir o atendimento. Os hospitais ainda estão abastecidos, mas, aqui no Hemocentro, já entramos em estado de alerta, ofertando apenas o que é estritamente necessário”, ressalta.

A assistente social destaca que a meta do Hemocentro é alcançar 180 doações por dia, mas a média recente tem ficado em torno de 100. Uma única doação pode salvar até quatro vidas. O sangue é separado em diferentes componentes, como hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado. Parte desse material pode ser armazenada por mais tempo, e o plasma excedente ainda é enviado à Hemobrás para a produção de medicamentos usados no Sistema Único de Saúde.

Os interessados em doar sangue devem ter entre 16 e 69 anos — menores de 18 devem apresentar autorização —, pesar pelo menos 51 kg e estar saudável | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Como doar

Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos — menores de 18 devem apresentar autorização —, pesar pelo menos 51 kg, estar em bom estado de saúde e levar um documento oficial com foto. O Hemocentro funciona no Setor Médico Hospitalar Norte, de segunda a sábado, das 7h15 às 18h.

O agendamento pode ser feito pelo site Agenda DF – Serviço de Agendamentos do Distrito Federal ou pelo telefone 160 (opção 2). Informações também estão disponíveis pelo WhatsApp (61) 99136-2495.

Isaias Pereira, de 24 anos, começou a doar sangue aos 18, incentivado por um professor. “É um gesto de empatia. Quando você vê uma bolsa com cerca de 450 ml de sangue saindo do seu corpo, entende que aquilo pode garantir que outra pessoa continue vivendo”, afirma.

Após descobrir uma insuficiência cardíaca, ele não pôde mais doar. Ainda assim, seguiu na causa e hoje atua como multiplicador, incentivando novos doadores. “Todo sábado fazemos ações e mobilizamos pessoas com campanhas de conscientização. Por meio de materiais informativos, a gente tenta desmistificar alguns preconceitos”, explica.

Ana Paula Oliveira

Jornalista formada em Brasília tendo a Capital Federal como principal cenário de atuação nos segmentos de revista, internet, jornalismo impresso e assessoria de imprensa. Infraero, Engenho Comunicação, Portal Fato Online e Câmara em Pauta, Revista BNC, Assessoria de Comunicação do Sesc-DF, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Rádio Nacional da Amazônia e Jornal GuaráHOJE/Cidades são algumas das empresas nas quais teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos renomados nomes do jornalismo no Brasil, e não perdeu nenhuma chance de aprender com esses profissionais. Na televisão, atuou na TV local de Patos de Minas em 2017, além de experiências acadêmicas. Ana Paula Oliveira nasceu em Bonfinópolis de Minas e foi morar em Brasília aos 14 anos e retorna à cidade natal em 2018. Durante os 20 anos em que passou na capital, a bonfinopolitana não desperdiçou as chances de crescer como pessoa e também como profissional, com garra e determinação. Além disso, conquistou algo não menos fundamental na sua caminhada: amigos. Isso mesmo. Para a jornalista não ter verdadeiros amigos significa ter uma vida vazia. E, com certeza, esse é um dos seus objetivos, fazer novos amigos nessa nova jornada da vida.

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