Foto: Arquivo/Agência Brasília
Há quem as chame de lagarta-de-fogo, taturana e mandruvá, mas há diferenças entre cada um desses insetos. Nesta fase larval de mariposas, comum durante o período de chuvas, existe uma semelhança importante: a presença de pelos (cerdas) é sinal de perigo e pode causar muitos danos.
Informar-se sobre esses riscos é importante para prevenir os acidentes e para contribuir com o trabalho da Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) da Secretaria de Saúde (SES-DF). De acordo com o biólogo Israel Moreira, que atua na área, o Distrito Federal é um local com muita incidência desses tipos de lagartas.
“Embora não tenhamos muitos registros de acidentes, até mesmo pela peculiaridade do animal, que não vive dentro das casas, é importante contarmos com o apoio da população para que sejam feitas coletas do inseto, pois servem à produção de antídoto”, explica. O Brasil é o único país produtor do Soro Antilonômico (SALon), específico para o tratamento dos envenenamentos causados por lagartas Lonomia.
Espécies
Existem lagartas cujas cerdas longas e sedosas lembram cachorrinhos peludos e por isso mesmo são chamadas de lagartas-cachorrinho. Apesar da aparência fofa, escondem “espinhos” urticantes que, em contato com a pele, liberam um veneno que pode provocar reações severas, como inchaços, vermelhidão, dor e sensação de queimação.
Há, ainda, as lagartas com cerdas ramificadas, como pequenas árvores pinheiros. Essas são todas venenosas. Nesse grupo, encontra-se também a lagarta do gênero Lonomia, de maior relevância para a saúde pública. A inoculação do seu veneno em pessoas pode ocasionar acidentes graves com hemorragias e até óbitos.
Acidentes
As primeiras ocorrências de lagartas Lonomia no DF foram registradas em diferentes regiões administrativas no ano de 2018. Em 2024, de acordo com o boletim epidemiológico dos acidentes causados por animais peçonhentos, os registros somam 1% de todas as mais de quatro mil ocorrências. Em apenas três desses acidentes, houve a necessidade de soroterapia.
Os acidentes com lagartas ocorrem pelo contato do indivíduo com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima. Ao coletar frutas no pomar, encostar-se em troncos para descansar ou realizar quaisquer outras atividades em ambiente silvestre, é recomendado observar bem o local, os gravetos e as folhas antes de manuseá-las. O uso de luvas ajuda a minimizar os riscos de acidente.
“As lagartas que não oferecem risco precisam permanecer no meio ambiente. Elas cumprem um papel fundamental no equilíbrio ecológico”
Israel Moreira, biólogo
Riscos a seres humanos
As demais fases de mariposas e borboletas (pupa, ovo e adulto), de modo geral, são inofensivas aos seres humanos. A Dival não aplica inseticida para o controle do inseto; sua atuação se dá pelo recolhimento dos tipos perigosos. “As lagartas que não oferecem risco precisam permanecer no meio ambiente. Elas cumprem um papel fundamental no equilíbrio ecológico”, alerta o biólogo Israel Moreira.
Para a identificação de qualquer espécie é de suma importância entrar em contato com algum dos Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental em Saúde. Em caso de acidente, o paciente deve ser levado ao serviço de saúde mais próximo, além de acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox).
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