Distrito Federal

GDF faz apelo para vacinação contra a pólio de crianças de até 4 anos

Uma infância presa à cadeira de rodas, observando outras crianças brincando enquanto mal conseguia se movimentar. Na escola, a hora do recreio era o momento de maior tristeza. Uma vida limitada e cheia de obstáculos. Essa foi a realidade vivida pela pesquisadora de cinema aposentada Berê Bahia, 73 anos. Ela ficou com paralisia infantil após ser diagnosticada com poliomielite.

“Até os meus 7 anos, eu tinha uma vida normal. Um dia senti febre e muita dor no corpo, principalmente muscular. Desde então, perdi a mobilidade da perna direita e de parte do meu braço”, conta a aposentada. “Minha mãe fazia massagens com ervas e óleos e eu tomava banhos de luz no hospital, até o médico confirmar o diagnóstico de paralisia infantil. O tratamento era somente remédios para dor”, relembra.

Ao longo da vida, Berê passou por 16 cirurgias na perna. Por conta do tratamento, que demandava tempo, acabou desistindo da faculdade. Na vida profissional, não foi muito diferente. A doença atrapalhava a locomoção, gerando dor e muitos afastamentos.

De janeiro a junho deste ano, a cobertura de rotina da vacina contra a poliomielite no DF, em crianças menores de 1 ano, foi de pouco mais de 73,5%. Já a campanha contra a doença, iniciada em 8 de agosto, e prorrogada até 30 de setembro, só alcançou até o momento 33% do público-alvo. O índice significa que apenas 48 mil das 160 mil crianças entre 1 e 4 anos de idade receberam o reforço com a vacina oral de poliomielite.

“Hoje, fico muito indignada e triste em ver que a poliomielite pode voltar a registrar novos casos. Há 28 anos, erradicamos essa doença do Brasil”, comenta Berê. “Faço um apelo para os pais e responsáveis: levem suas crianças para se vacinarem contra essa doença tão terrível. Façam por amor, tenham consciência e não deixem que as crianças tenham uma vida tão limitada e dolorosa. Hoje existe vacina, na minha época não tinha”, frisa. A meta da cobertura vacinal da Secretaria de Saúde é atingir 95% dessa população.

Enfermeira da área técnica de imunização, Fernanda Ledes destaca que a poliomielite é uma doença grave e que pode causar a perda dos movimentos, especialmente dos membros inferiores. Além disso, não tem cura. “A melhor forma de prevenção contra a poliomielite é a vacinação, que está disponível no SUS [Sistema Único de Saúde] para crianças de 2, 4 e 6 meses, por meio da vacina inativada poliomielite (VIP) e a partir dos 15 meses aos 4 anos de idade com a vacina VOP [vacina oral poliomielite], que é a de gotinha”, explica.

Ledes esclarece que a baixa cobertura vacinal, que desde 2017 não atinge a meta de 95%, pode ocasionar a volta da doença. “Como a poliomielite ainda circula em alguns países, existe o risco de ressurgimento no Brasil. Por isso, é tão importante proteger todas as crianças e levá-las para serem vacinadas”, ressalta. O Distrito Federal está entre as unidades federativas com menor taxa de adesão, com 33,09%, atrás apenas de Roraima (23,17%), Acre (24,49%) e Rio de Janeiro (30,59%).

Ana Paula Oliveira

Jornalista formada em Brasília tendo a Capital Federal como principal cenário de atuação nos segmentos de revista, internet, jornalismo impresso e assessoria de imprensa. Infraero, Engenho Comunicação, Portal Fato Online e Câmara em Pauta, Revista BNC, Assessoria de Comunicação do Sesc-DF, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Rádio Nacional da Amazônia e Jornal GuaráHOJE/Cidades são algumas das empresas nas quais teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos renomados nomes do jornalismo no Brasil, e não perdeu nenhuma chance de aprender com esses profissionais. Na televisão, atuou na TV local de Patos de Minas em 2017, além de experiências acadêmicas. Ana Paula Oliveira nasceu em Bonfinópolis de Minas e foi morar em Brasília aos 14 anos e retorna à cidade natal em 2018. Durante os 20 anos em que passou na capital, a bonfinopolitana não desperdiçou as chances de crescer como pessoa e também como profissional, com garra e determinação. Além disso, conquistou algo não menos fundamental na sua caminhada: amigos. Isso mesmo. Para a jornalista não ter verdadeiros amigos significa ter uma vida vazia. E, com certeza, esse é um dos seus objetivos, fazer novos amigos nessa nova jornada da vida.

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