Categories: JUDICIÁRIOPolítica

Por decisão de Flavio Dino, CGU deverá fazer auditoria nas emendas PIX

Por Andre Richter

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (1°) determinar que as emendas individuais dos parlamentares ao Orçamento da União devem seguir critérios de transparência e de rastreabilidade. As emendas são conhecidas como “emendas Pix”.

Pela decisão, a Controladoria-Geral da União (CGU) deverá realizar uma auditoria nos repasses no prazo de 90 dias. Além disso, o Poder Executivo só poderá liberar os pagamentos das emendas após os parlamentares inserirem no Portal Transferegov, site do governo federal, as informações sobre as transferências, como dados envolvendo plano de trabalho, estimativa de recursos e prazo para a execução dos valores.

No caso de “emendas PIX” que tratam de verbas para a saúde, os valores só poderão ser executados após parecer favorável das instâncias competentes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A decisão do ministro foi motivada por uma ação protocolada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Para a entidade, esse tipo de emenda individual permite o repasse de recursos sem a vinculação de projetos específicos, caindo direto no caixa do recebedor e impedindo a fiscalização dos órgãos de controle.

Ao analisar o caso, Flávio Dino entendeu que os argumentos demonstrados pela entidade mostram insuficiência de mecanismos de transparência do atual modelo de repasses das emendas.

“Nesse sentido, deve-se compreender que a transparência requer a ampla divulgação das contas públicas, a fim de assegurar o controle institucional e social do orçamento público”, afirmou Dino.

Orçamento secreto

Mais cedo, Flávio Dino também determinou que a adoção de regras para indicação de recursos públicos por meio das emendas parlamentares RP9, conhecidas como “Orçamento Secreto”. As medidas foram determinadas após audiência de conciliação realizada hoje com representantes do Congresso.

Pela decisão do ministro, as emendas só poderão ser pagas pelo Poder Executivo mediante total transparência sobre sua rastreabilidade. Dino também entendeu que as organizações não-governamentais (ONGs) deverão seguir as mesmas regras quando atuarem como executoras das emendas.

O entendimento do ministro também determina que a Controladoria-Geral da União (CGU) realize uma auditoria de todos os repasses realizados pelos parlamentares por meio das emendas do “orçamento secreto”.

Em dezembro de 2022, o STF entendeu que as emendas chamadas de RP9 são inconstitucionais. Após a decisão, o Congresso Nacional aprovou uma resolução que mudou as regras de distribuição de recursos por emendas de relator para cumprir a determinação da Corte. No entanto, o PSOL, partido que entrou com a ação, apontou que a decisão continua em descumprimento.

Editor

Recent Posts

MPMG celebra um ano do projeto Acolher com Dignidade e reforça rede de proteção a idosos e pessoas com deficiência do estado

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) celebrou, nesta sexta-feira, 17 de abril, o primeiro…

17 horas ago

Com novas regras, programa Aluguel Social amplia proteção a mulheres em situação de violência

O Governo do Distrito Federal (GDF) deu mais um passo no fortalecimento da rede de…

1 dia ago

Saúde envia 2,2 milhões de doses da vacina de covid-19 aos estados

O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (16) ter enviado 2,2 milhões de novas doses…

2 dias ago

Educação abre inscrições para contratação extemporânea na rede estadual de ensino de Minas Gerais

A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) abre, neste ano de 2026,…

2 dias ago

Projeto Nasce uma Estrela leva acolhimento, orientação e cuidado para 50 gestantes e mães do Paranoá

Nesta sexta-feira (17), das 10h às 12h, a Praça Central do Paranoá recebe mais uma…

2 dias ago

Seminário eleitoral no MPMG capacita promotores de Justiça e aponta desafios para eleições gerais de 2026

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026,…

2 dias ago