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quinta-feira, maio 21, 2026
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    Arte brasileira em Cannes: “Bordado é terapia e as bordadeiras minhas amigas”

    Seidimar Ramos, de 57 anos, é bordadeira não apenas por talento, mas também na luta pelo sustento da família. Está no grupo que se juntou para voar, ponto a ponto, além das dificuldades. É autora do bordado Tiê Sangue na barra do vestido que será usado pela modelo internacional Thayná Soares no tapete vermelho de Cannes, Paris, neste sábado dia 23.

    A peça artesanal inspirada em pássaros da Mata Atlântica foi produzida por 17 bordadeiras de Paraty, no Rio de Janeiro, dentro do projeto social da marca Thayná Caiçara. A técnica utilizada é a pintura de agulha. “Tivemos muito cuidado e carinho com o vestido. Acredito que se não estivéssemos aqui, com esse trabalho, estaríamos mais invisíveis. Quando consegui a vaga para participar o meu coração não cabia no peito. Estou muito feliz, enaltecida de estar junto nesse sonho”, sorri a mulher que aprendeu em casa, desde a infância, o amor pelo “feito à mão”.

    Foram 21 dias com a agulha em movimento com atenção a cada detalhe. Outros tantos de reuniões, planejamento, inspiração e apoio mútuo. Algumas dessas mulheres precisam de barco ou ônibus para chegar à Casa da Cultura de Paraty. Há aquelas que vão a pé, sem cansar apesar de terem outras atividades como limpar camarões na beira mar. Elas têm idades entre 20 e 70 anos, ricas em diversidade cultural e influências que dão toque autoral a cada trabalho.

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    Foto: Paulo Êutico Em pé da esquerda para a direita: Mayara, Raquel, Esmeralda, Seidimar, Catiucia, Roberta e Léa. Sentadas: Sylvia, Mestra Fernanda Queiroz, Maria Helena e Ana Rocha. Agachadas: Fátima e Leila Todas sorridentes, vestidas de camisetas coloridas com a logomarca Thayna Caiçara, calça e saia, exceto a mestra está de saia preta e top vermelho, Roberta está de regata e colete colorido/calça. Ao fundo o vestido no manequim, na sala Casa das Artes/Casa da Cultura de Paraty.

    Das 20 integrantes da segunda turma do projeto em parceria com a Casa da Cultura de Paraty, 15 bordadeiras fizeram pássaros, uma bordadeira fez o cinto e ajudou no vestido com bordado de galhos, folhas e frutos da aroeira. A professora Fernanda Queiroz também colocou a mão no tecido e ressalta o capricho de todas para dar exuberância ao bordado, assim como cada espécie na natureza.

    Esse projeto reúne histórias de vida de pessoas comuns da terra natal de Thayná, assistente social por formação. A busca é pela valorização da arte e cultura regional. “O bordado é minha terapia e as bordadeiras são amigas, professoras, pessoas da minha família. Sou parte do grupo e do movimento, não sou apenas uma contratante de serviço”, destaca.

    Levar a arte para Cannes exalta a qualidade do artesanato brasileiro que também já desfilou por Nova York e Paris. Morando na Europa, Thayná diz que lá o bordado que reproduz aves coloridas é chamado de luxo. E, valorizar é dar o pagamento justo pelo serviço, sem negociar o que leva tempo e dedicação para ser produzido.

    “O diferencial da minha marca é que ela não precisa lucrar. Somente mantém os pagamentos em dia porque as pessoas são a parte mais importante no processo. Lutar contra a sazonalidade é o nosso maior desafio”, descreve a modelo que também estabeleceu parcerias para produzir joias no mesmo estilo buscando recursos para o projeto. Essa é a segunda turma de bordadeiras, quarenta ao todo formadas até agora com uma grande fila à espera da oportunidade de mudar de vida.

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    Esmeralda cheia de sonhos, carrega sempre um suco detox colorido pra compartilhar com as colegas do bordado. Foto feita por Fernanda Queiroz no Centro histórico

    A frase da bordadeira Esmeralda Leonardi incentiva quem quer recomeçar e ver sonhos serem realizados. “Bordar é maravilhoso, meu pensamento voa enquanto estou bordando. E fico aqui com os meus projetos, porque sonho muito. É uma emoção ver aquele trabalho pronto, lindo, maravilhoso”, conta sem parar de bordar.

    Para Thayná as mulheres não devem depender do projeto, mas alçar seus próprios voos conquistando outros contratantes e negócios próprios para que o artesanato deixe de ser apenas um complemento, transformando-se em ofício e fonte de renda. Os bordados também estão presentes em looks de artistas e famosos. Depois do tapete vermelho o vestido irá para exposições de moda.



    Sobre Ana Paula Oliveira
    Jornalista formada em Brasília tendo a Capital Federal como principal cenário de atuação nos segmentos de revista, internet, jornalismo impresso e assessoria de imprensa. Infraero, Engenho Comunicação, Portal Fato Online e Câmara em Pauta, Revista BNC, Assessoria de Comunicação do Sesc-DF, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Rádio Nacional da Amazônia e Jornal GuaráHOJE/Cidades são algumas das empresas nas quais teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos renomados nomes do jornalismo no Brasil, e não perdeu nenhuma chance de aprender com esses profissionais. Na televisão, atuou na TV local de Patos de Minas em 2017, além de experiências acadêmicas.
    Ana Paula Oliveira nasceu em Bonfinópolis de Minas e foi morar em Brasília aos 14 anos e retorna à cidade natal em 2018. Durante os 20 anos em que passou na capital, a bonfinopolitana não desperdiçou as chances de crescer como pessoa e também como profissional, com garra e determinação. Além disso, conquistou algo não menos fundamental na sua caminhada: amigos. Isso mesmo. Para a jornalista não ter verdadeiros amigos significa ter uma vida vazia. E, com certeza, esse é um dos seus objetivos, fazer novos amigos nessa nova jornada da vida..

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