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terça-feira, março 31, 2026
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    MPMG realiza seminário sobre atuação integrada no combate à violência doméstica

    O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou nessa segunda-feira, 30 de março, em Belo Horizonte, o seminário “O enfrentamento da violência doméstica pela via dos direitos coletivos” para fortalecer a atuação intersetorial, estabelecendo alinhamento conceitual, integrando práticas e aprimorando a comunicação entre os órgãos envolvidos. A meta é responder de forma mais rápida e coordenada as demandas referentes à proteção da mulher vítima de violência.

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    A ação educacional foi proporcionada pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), do MPMG, em parceria com o Centros de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD) e de Defesa da Educação (CAO-EDUC)

    Participaram da mesa de abertura: a procuradora-geral de Justiça Adjunta Jurídica, Reivany Jabour Ribeiro; subcorregedora-geral, Márcia Pinheiro de Oliveira Teixeira; diretora do Ceaf, Cássia Virgínia Serra Teixeira Gontijo; coordenadora do CAO-VD, Denise Guerzoni Coelho, coordenadora do CAO-EDUC, Giselle Ribeiro de Oliveira; a major PMMG, Cristina de Morais Pereira; delegada da Casa da Mulher, Elyenni Célida da Silva.

    De acordo com Denise Guerzoni, a resposta individual, reativa, na proteção à mulher vítima de violência não tem sido suficiente e não é a ideal. “Então é preciso enfrentar a violência contra a mulher nessa ótica de que há uma violação de direitos humanos enraizada em desigualdades estruturais. Manejar a responsabilização do agressor e aplicar as medidas protetivas é um eixo absolutamente importante, mas é preciso rever a atuação no macro, para que possamos utilizar os sistemas de educação, saúde, assistência social, cultura, esporte entre outros. Enfim, que possamos retirar de cada sistema a sua respectiva atuação nesse enfrentamento. Nesse contexto, o Ministério Público se insere no papel de agente transformador”.

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    Ainda conforme a coordenadora do CAO-VD, a atuação estruturada busca reduzir os índices de feminicídio e toda forma de violência contra a mulher. “Porém, estamos vivendo com dados e percentuais alarmantes de ataques letais e quase letais contra as mulheres. Não podemos esquecer que tudo tem um início, e o início pode ser, não raro, pelo cometimento da violência psicológica, que é neutralizada e, às vezes, não reconhecido pela própria vítima”.

    “O Direito pede uma prova material. Então, é preciso que se construa, a partir desse seminário, um entendimento maior de apoio à prova testemunhal, aos outros laudos, à oitiva da vítima, ao interrogatório, todo o conjunto de prova, ter mais um apoio, a exemplo do Formulário Nacional de Avaliação de Risco, para que possamos fazer a prova, de conceder medidas protetivas e buscar a diminuição dos índices de feminicídio”, ressalta Denise Guerzoni.

    Ivana Machado Moraes Battaglin, promotora de Justiça no Estado do Rio Grande do Sul e uma das palestrantes, falou sobre o tema “Articulação em rede para o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas”.

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    egundo a coordenadora do Centro de Apoio de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, do MPRS, e também da Comissão Permanente de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Grupo Nacional de Direitos Humanos do Ministério Público, “a atuação como vem sendo feita hoje, ou seja, depois que o fato acontece, buscando a punição do agressor, não tem mostrado resultados. O número de feminicídios e de casos de violência, que vem aumentando cada vez mais, nos mostra que precisamos enfrentar essa violência antes dela acontecer. E de que forma? Sobretudo na área da educação. Precisamos entrar com essa discussão lá nas escolas, no momento em que as crianças estão formando a sua ideia do que é o mundo, do que são os papéis de gênero, como é que homens e mulheres devem se comportar na sociedade, que meninos podem chorar, podem ser sensíveis, podem ter sentimentos, podem sentir medo. Isso não é ser menos homem”.

    Para Ivana Battaglin, “os homens têm muita dificuldade de lidar com os sentimentos e lidar com a frustração, porque eles não são socializados para isso. E isso gera violência. Ao mesmo tempo que as meninas também precisam entender que elas não tem um papel de submissão. Precisamos muito falar sobre isso com a sociedade, porque as pesquisas mais recentes mostram que os homens jovens, meninos e adolescentes, são muito mais machistas que os homens adultos. E isso é preocupante”.

    A promotora de Justiça do Estado de São Paulo, Valéria Diez Scarance Fernandes, autora do “Manual de Medias Protetivas de Urgência” e coordenadora do Grupo Pandora, falou sobre o tema “Violência psicológica e o Instrumento de Violência Psicológica (IAVP) à luz do Direito e conteúdo probatória”.

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    O Pandora é integrado por profissionais do Direito, Psicologia e Psiquiatria e responsável pela criação do Instrumento de Avaliação de Violência Psicológica com foco nas condutas de violência organizadas de acordo com o tipo penal do artigo 147-B do Código Penal e impactos para a vítima que configuram dano emocional.
    Segundo a promotora de Justiça, O IAVP é um projeto desenvolvido para a sociedade e para as pessoas que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher. Ele pode ser aplicado diretamente pelas vítimas. Podem preencher o formulário os promotores de Justiça, advogados da vítima, juízes e pessoas que atuam no serviço. É um questionário com perguntas que identificam comportamentos de violência psicológica e os sintomas da violência psicológica

    Ainda de acordo com Valéria, “o IAVP foi construído a partir da tipificação do crime de violência psicológica, então um membro do Ministério Público que preencher o questionário tem condições de imediatamente oferecer uma denúncia. Isso pode mudar totalmente o cenário e virar o jogo, vamos dizer assim. Embora a ferramenta seja nova, temos notícia de que ela foi implantada em inúmeros estados no Brasil e tem produzido excelentes resultados”.

    A programação contou ainda com as seguintes atividades: palestra sobre IAVP na prática: a avaliação da violência psicológica e estratégias de intervenção, lançamento do Guia de Atuação Rede de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres, palestra sobre o combate à violência contra a mulher como tema transversal na educação básica.

    SourceMPMG


    Sobre Ana Paula Oliveira
    Jornalista formada em Brasília tendo a Capital Federal como principal cenário de atuação nos segmentos de revista, internet, jornalismo impresso e assessoria de imprensa. Infraero, Engenho Comunicação, Portal Fato Online e Câmara em Pauta, Revista BNC, Assessoria de Comunicação do Sesc-DF, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Rádio Nacional da Amazônia e Jornal GuaráHOJE/Cidades são algumas das empresas nas quais teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos renomados nomes do jornalismo no Brasil, e não perdeu nenhuma chance de aprender com esses profissionais. Na televisão, atuou na TV local de Patos de Minas em 2017, além de experiências acadêmicas.
    Ana Paula Oliveira nasceu em Bonfinópolis de Minas e foi morar em Brasília aos 14 anos e retorna à cidade natal em 2018. Durante os 20 anos em que passou na capital, a bonfinopolitana não desperdiçou as chances de crescer como pessoa e também como profissional, com garra e determinação. Além disso, conquistou algo não menos fundamental na sua caminhada: amigos. Isso mesmo. Para a jornalista não ter verdadeiros amigos significa ter uma vida vazia. E, com certeza, esse é um dos seus objetivos, fazer novos amigos nessa nova jornada da vida..

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