Urucuia Grande Sertão: um mergulho nas veredas de Guimarães Rosa

O Vão dos Buracos é um corredor ecológico entre o Parque Nacional Grande Sertão Veredas e o Parque Estadual da Serra das Araras
O Vão dos Buracos é um corredor ecológico entre o Parque Nacional Grande Sertão Veredas e o Parque Estadual da Serra das Araras. Foto: Bruno Valadares / Divulgação

Entre o norte e o noroeste de Minas Gerais, existe um território onde a paisagem parece ter sido desenhada pela literatura e a vida segue o compasso das águas e das veredas.

O Circuito Turístico Urucuia Grande Sertão, que une os municípios de Arinos, Bonfinópolis de Minas, Chapada Gaúcha, Formoso, Pintópolis, Santa Fé de Minas e Urucuia, não é apenas um destino de viagem, é uma imersão na alma do Cerrado brasileiro.

Casa de farinha na comunidade quilombola de Buraquinhos em Chapada Gaúcha – Foto: Bruno Valadares / Divulgação

Inspirada pelas veredas eternizadas por Guimarães Rosa, a região se tornou um santuário de biodiversidade e cultura viva. Quem visita a região, encontra um mosaico de experiências que vai da observação de espécies raras, como o lobo-guará e o tamanduá-bandeira, até a vivência autêntica junto a comunidades rurais e quilombolas.

Com uma localização estratégica entre Minas Gerais, Goiás, Bahia e o Distrito Federal, o circuito é um convite ao ecoturismo e à redescoberta das tradições sertanejas.

O cotidiano dos ribeirinhos baseia-se na pesca artesanal, na agricultura de subsistência nas vazantes e em saberes ancestrais profundamente ligados ao ciclo das águas do Rio Urucuia – Foto: Urucuia Grande Sertão / Divulgação

Nesse contexto, o Descubra Minas — plano de desenvolvimento Turístico do Sistema Fecomércio MG, Sesc, Senac e Sindicatos Empresariais — promove iniciativas em todo o estado voltadas à valorização dos destinos, ao fortalecimento dos negócios e ao desenvolvimento econômico do setor.

A Vereda da Vaca é uma área encharcada com buritis, típica do Cerrado, localizada no município de Arinos – Foto: Urucuia Grande Sertão / Divulgação

Na região, o programa trabalha em parceria com a Instância de Governança Regional (IGR) Urucuia Grande Sertão para divulgar o destino turístico. Para Marcílio Álisson Fonseca de Almeida, diretor-executivo da IGR Urucuia Grande Sertão, a importância do território vai muito além da contemplação.

“O nosso circuito é, antes de tudo, um território de encontros e memórias. Queremos que o visitante sinta o pertencimento ao Grande Sertão, valorizando a hospitalidade, os sabores e a força das nossas comunidades que guardam e reinventam nossas tradições”, destaca.

A Cachoeira de Santa Bárbara, em Formoso – Foto: Urucuia Grande Sertão / Divulgação

A riqueza hídrica é um dos cartões-postais da região. De praias fluviais no Rio Urucuia a imponentes cachoeiras como a da Fumaça e a do Boi Preto, a natureza dita o ritmo da aventura.

Além disso, a gastronomia, pontuada pelo baru, pequi, mel, doces artesanais e o artesanato em fibra de buriti garantem que a experiência sertaneja seja levada na bagagem como uma lembrança inesquecível.

Ponto de Banho no Rio Preto, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas – Foto: Peterson Almeida / Divulgação

Cada município acrescenta uma nota singular a essa sinfonia mineira: de Arinos, com sua vocação para a economia criativa, às pinturas rupestres de Bonfinópolis de Minas; da porta de entrada do Parque Nacional Grande Sertão Veredas em Chapada Gaúcha à grandiosidade dos encontros dos rios em Pintópolis e Urucuia.

“Mais do que um roteiro, convidamos todos a viver o pulsar de um Brasil autêntico, onde cada vereda conta uma história e cada festa popular é uma celebração da nossa identidade”, reforça Marcílio Álisson Fonseca de Almeida.

Seja pelas romarias centenárias ou pela tranquilidade de um rancho à beira do rio, o Circuito Urucuia Grande Sertão é o destino certo para quem busca alma, natureza e a essência da cultura mineira.

O Circuito Turístico Urucuia Grande Sertão, situado em uma das regiões mais ricas em identidade cultural e natural do Cerrado, oferece opções de estadia que privilegiam a conexão com a paisagem e o estilo de vida local.

Bar da Balsa em Urucuia, às margens do Rio Urucuia – Foto: Urucuia Grande Sertão / Divulgação

Como a região é caracterizada pela vastidão das veredas e pelo turismo rural e ecológico, as formas de acomodação refletem esse espírito acolhedor e próximo à natureza.

Para quem planeja visitar a região, as opções de hospedagem se destacam pelo conforto integrado ao ambiente, evitando grandes centros urbanos e favorecendo a experiência local.

Muitas dessas acomodações oferecem uma gastronomia autêntica e a oportunidade de interagir com o modo de vida local, tornando o período de descanso um complemento importante ao roteiro de exploração das veredas e da cultura regional.

Onde se hospedar:

Às margens do Rio Urucuia, o Rancho Sagarana é uma opção para se reconectar com a natureza – Foto: Rancho Sagarana / Divulgação

Casas de Campo e Ranchos: Comuns às margens de rios como o Urucuia, esses locais oferecem privacidade e autonomia. São ideais para famílias ou grupos que desejam vivenciar o cotidiano do campo. Frequentemente, contam com estruturas completas, lazer ao ar livre e acesso direto à natureza, proporcionando uma experiência de “casa de veraneio” em pleno sertão.

Pousadas Rurais: Focadas no turismo de experiência, muitas dessas propriedades funcionam em casarões antigos ou edificações que preservam a arquitetura local. O ambiente costuma ser de tranquilidade, com foco no café da manhã farto com quitutes regionais, como queijos e doces caseiros, e áreas de lazer como piscinas de água mineral, quadras ou espaços para caminhadas. É uma forma de sentir o acolhimento do Cerrado em um ambiente organizado e confortável

Refúgios de Natureza e acomodações ecológicas: Em áreas de preservação ou próximas ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas, existem opções voltadas para o turismo sustentável. Essas acomodações costumam ser exclusivas, com poucos quartos, priorizando a imersão na fauna e flora. O foco é o contato guiado com especialistas, observação de estrelas e trilhas ecológicas, unindo o conforto a um compromisso real com a conservação do bioma.

Chalés com unidades mais privativas: Essas acomodações também são ofertadas em propriedades que exploram o ecoturismo. Ao planejar sua viagem por esse território, considere que o “viver o sertão” faz parte da estadia.

Serviço:

Como chegar: A distância entre Belo Horizonte e Urucuia é de cerca de 626 km. De carro ou ônibus, a viagem leva por volta de 11 horas. A maneira mais fácil de chegar à cidade é pegando um voo da Azul de BH para Montes Claros, que fica a 263 km, e depois um ônibus ou um carro até Urucuia pela rodovia MG-202. A viagem dura de 3h45 a 4 horas.

Agências e receptivos:

Parque Nacional Grande Sertão Veredas (Chapada Gaúcha e Formoso) / Parque Estadual Serra das Araras/Corredor Ecológico Vão dos Buracos e Sagarana (Arinos)

RVC Turismo / Leidson (agência): (38) 99978-7352
Expandar Turismo de Experiências / Célio (agência): (38) 99883-6963
Sertão Turismo / Elson (receptivo): (38) 99866-3855
Diana Campos (condutora local): (38) 99812-5510
Parque Nacional Grande Sertão Veredas / Peterson: (21) 99558-5879

Parque Estadual Sagarana:

Cresertão / Rhaul (receptivo): Organiza passeios com experiências e hospedagem comunitária: (19) 99645-2249

Urucuia (pesca esportiva e passeio de barco):

Rancho Sagarana: (38) 99937-2118
Rancho Recanto das Caranhas: (38) 99969-0670
Rancho Colorado: (38) 99725-1564
Rancho Recanto dos Dourados: (62) 99999-7476

Hospedagem:

Hotel Ouro do Cerrado (Arinos): (38) 99993-8998
Hotel Ares do Sertão (Chapada Gaúcha): (38) 99849-9413

Mais informações: Acesse os site Descubra Minas ou Instagram @descubra.minas



Sobre Ana Paula Oliveira
Jornalista formada em Brasília tendo a Capital Federal como principal cenário de atuação nos segmentos de revista, internet, jornalismo impresso e assessoria de imprensa. Infraero, Engenho Comunicação, Portal Fato Online e Câmara em Pauta, Revista BNC, Assessoria de Comunicação do Sesc-DF, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Rádio Nacional da Amazônia e Jornal GuaráHOJE/Cidades são algumas das empresas nas quais teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos renomados nomes do jornalismo no Brasil, e não perdeu nenhuma chance de aprender com esses profissionais. Na televisão, atuou na TV local de Patos de Minas em 2017, além de experiências acadêmicas.
Ana Paula Oliveira nasceu em Bonfinópolis de Minas e foi morar em Brasília aos 14 anos e retorna à cidade natal em 2018. Durante os 20 anos em que passou na capital, a bonfinopolitana não desperdiçou as chances de crescer como pessoa e também como profissional, com garra e determinação. Além disso, conquistou algo não menos fundamental na sua caminhada: amigos. Isso mesmo. Para a jornalista não ter verdadeiros amigos significa ter uma vida vazia. E, com certeza, esse é um dos seus objetivos, fazer novos amigos nessa nova jornada da vida..

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