Você sabe como vivem as pessoas que moram em uma instituição de acolhimento? Sabe como funciona a dinâmica dentro da casa que abriga essas acolhidos? O serviço recebe cidadãos em situação de vulnerabilidade, separados por grupos: somente homens, mulheres, adultos e famílias, crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, jovens que cresceram no acolhimento, e a mais nova modalidade oferecida pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), que é o serviço de acolhimento conjunto.
Esse serviço foi criado para acolher bebês, crianças e adolescentes junto com suas mães, ou tia, avó, uma parente responsável por eles. O objetivo é oferecer para esse jovem a segurança e o conforto do acolhimento, sem que ele perca o vínculo com a família. Eles estudam em uma escola próxima, têm um espaço para brincar, fazer as refeições, um local limpo com camas para dormir junto com seus familiares e ter um crescimento saudável. Não é pernoite, é moradia temporária, onde eles são acompanhados por uma equipe socioassistencial e têm acesso também a políticas públicas.
“O serviço permite que eles permaneçam próximos de seus familiares em um ambiente seguro, acolhedor e estruturado, fortalecendo vínculos afetivos e garantindo acompanhamento especializado para toda a família”
Giselle Ferreira, secretária de Desenvolvimento Social
No Distrito Federal, o serviço de acolhimento conjunto é executado desde março por meio de uma parceria entre a Sedes e a organização da sociedade civil (OSC) Casa da Criança Batuíra, que fica em Ceilândia. “Nós temos crianças de até 16 anos, e todas elas com as mães ou acompanhadas pelo responsável familiar. Nós acolhemos para que seja preservado esse convívio familiar, para evitar ruptura com as crianças, para eles não terem que ir para o acolhimento tradicional”, explica a coordenadora técnica do serviço de acolhimento conjunto da Casa da Criança Batuíra, Natália Fragoso. “Então, aqui trabalhamos muito a vinculação familiar, a autonomia. Damos a oportunidade para essas mães exercerem a maternidade delas de uma maneira saudável e supervisionada.”
Central de acolhimento
Hoje, são 24 pessoas acolhidas. O serviço oferece, no máximo, 50 vagas, que são destinadas por meio da Central de Acolhimento para Crianças e Adolescentes. “A solicitação de vaga é mediada por um estudo de caso. As demandas que estão vindo, atualmente, são da Vara da Infância, do próprio serviço de acolhimento familiar de adultos e famílias. É a equipe de lá que enxerga alguma potencialidade para o acolhimento conjunto”, detalha Natália Fragoso.
A casa destinada ao acolhimento conjunto tem oito quartos com beliches e camas, com armários separados para cada família para eles guardarem brinquedos e pertences. Tem banheiros, sala de estar e de televisão para convivência e horários pré-estabelecidos, de forma que haja convivência harmoniosa entre eles. “Temos regras de convivência, horário para televisão. Temos uma organização da escala da limpeza da casa, tanto das áreas comuns como dos banheiros e dos quartos. Nós sempre enfatizamos que o acolhimento é transitório, então, elas precisam aprender a se organizar quanto à limpeza, quanto à higienização, porque elas vão ter isso na casa delas”, destaca Natália. “As crianças que estão aqui têm rotina de ir para a creche e a escola. As mães levam e buscam. É como se fosse a casa delas mesmas, mas em um período transitório”, complementa.
“As crianças que estão aqui têm rotina de ir para a creche e a escola. As mães levam e buscam. É como se fosse a casa delas mesmas, mas em um período transitório”
Natália Fragoso, coordenadora técnica do serviço de acolhimento conjunto da Casa da Criança Batuíra
No local, há espaço para jogos e brinquedos, área externa segura dentro da casa para brincar, jogar futebol e refeitório, onde são servidas seis refeições por dia. “Tem café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Tem o horário das refeições, e aqui eles podem se servir, damos essa autonomia para eles colocarem a quantidade ideal que eles conseguem comer”, explica Natália. “Nós temos duas salas de televisão, uma para os adultos, e outra para as crianças. A gente consegue ali colocar um filme, alguma coisa para as crianças pequenas. Já as mães gostam muito de assistir jornal, novela”, conta a coordenadora da OSC.
Escala de trabalho
Segundo Natália Fragoso, a limpeza da casa fica por conta dos próprios moradores, que se revezam para manter tudo limpo e organizado. “Temos a escala de quem vai ficar no banheiro hoje, de quem vai ficar na limpeza da sala, quem vai ficar na limpeza das áreas comuns, isso tudo é organizado pela equipe técnica, pela equipe de cuidadores. Nós temos a lavanderia, onde também é feita uma escala. Aí sempre pedimos que essa organização seja feita de manhã, para dar tempo de lavar estender e secar, de forma que a família do outro dia possa utilizar.”
Na casa de acolhimento, em todos os dias e turnos, há profissionais da equipe multidisciplinar que acompanham os acolhidos na casa. As mães podem sair para trabalhar, enquanto os filhos ficam seguros. Ou seja, a unidade funciona como uma moradia normal, para oferecer mais segurança às famílias. As visitas, no entanto, são avaliadas caso a caso. “Nós avaliamos avalia essa visita porque muitas mulheres estão sob algum tipo de risco, com medidas protetivas. Por isso, temos que avaliar se, de fato, vai ser uma visita que será benéfica”, explica Natália,
Para a secretária de Desenvolvimento Social, Giselle Ferreira, o acolhimento conjunto representa um avanço importante na proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. “O serviço permite que eles permaneçam próximos de seus familiares em um ambiente seguro, acolhedor e estruturado, fortalecendo vínculos afetivos e garantindo acompanhamento especializado para toda a família”, destaca.





