Palestra sobre Lei Maria da Penha trata de efetividade de medidas protetivas e desafios no ambiente digital

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), realizou nesta quarta-feira, 19 de agosto, a palestra “Lei Maria da Penha – 20 anos: Avanços, Novidades Legislativas e Desafios para o Futuro”. O evento virtual integrou as ações do Agosto Lilás e reuniu integrantes do sistema de Justiça, profissionais da rede de proteção, estudantes e demais interessados no enfrentamento da violência contra a mulher. A convidada foi a delegada Luana Davico, da Polícia Civil do Distrito Federal, que compartilhou reflexões sobre os avanços da legislação e os desafios ainda presentes na proteção das vítimas.

Ao longo da exposição, a delegada destacou a importância de combater a percepção de que a Lei Maria da Penha não produz resultados. Segundo ela, a legislação representou uma mudança significativa na forma como o país enfrenta a violência doméstica e familiar. “A lei Maria da Penha é, sim, um avanço de proteção”, afirmou. Para a palestrante, o aumento das denúncias e da visibilidade do problema não significa que a violência tenha surgido recentemente, mas que situações antes silenciadas passaram a ser reconhecidas e enfrentadas pelo poder público e pela sociedade.

Um dos principais pontos defendidos por Luana Davico foi a necessidade de compreender a Lei Maria da Penha como um instrumento de proteção, e não apenas de punição. “A lei Maria da Penha não é uma lei penal. A lei Maria da Penha é um instrumento de proteção”, ressaltou. A delegada observou que medidas como o afastamento do agressor, o monitoramento eletrônico e outras formas de proteção podem ser decisivas para preservar vidas, mesmo quando não resultam imediatamente em uma condenação criminal.

A palestrante também chamou a atenção para os obstáculos enfrentados por muitas mulheres que vivem em situação de violência. Dependência financeira, pressões familiares, receio de perder a fonte de sustento dos filhos e falta de confiança na rede de apoio podem dificultar a busca por ajuda. Nesse contexto, ela defendeu o fortalecimento das políticas públicas de acolhimento e proteção. “O grande desafio da Lei Maria da Penha é convencer essa mulher que ela realmente vai ser protegida”, afirmou.

Outro tema debatido foi a necessidade de ampliar a atuação da rede de proteção para além dos órgãos de segurança pública. Com base em experiências internacionais e em estudos desenvolvidos no Distrito Federal, a delegada defendeu uma atuação mais integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de Justiça. Segundo ela, muitas mulheres procuram primeiro hospitais, unidades de saúde ou outros serviços públicos antes de chegar a uma delegacia. “Todos os profissionais e toda a sociedade têm que estar preparados para um protocolo de acionamento de medidas de proteção”, destacou.

Ao abordar os desafios para os próximos anos, Luana Davico alertou para o crescimento das violências praticadas ou incentivadas em ambientes digitais, especialmente por meio de conteúdos misóginos disseminados nas redes sociais. A delegada defendeu o desenvolvimento de estratégias capazes de ampliar a proteção das mulheres também nesses espaços.

Canais de denúncia

Mulheres em situação de violência, testemunhas ou pessoas que desejam ajudar podem buscar apoio pelos telefones 190 (emergências), 180 (violência doméstica) e 100 (violência contra crianças), ou ainda procurar delegacias, serviços de assistência social, Defensoria Pública, Promotoria de Justiça e outros órgãos da rede de proteção. Em Minas Gerais, também é possível registrar ocorrências e solicitar medidas protetivas pela Delegacia Virtual e pelo aplicativo MG App Cidadão.

SourceMPMG


Sobre Ana Paula Oliveira
Jornalista formada em Brasília tendo a Capital Federal como principal cenário de atuação nos segmentos de revista, internet, jornalismo impresso e assessoria de imprensa. Infraero, Engenho Comunicação, Portal Fato Online e Câmara em Pauta, Revista BNC, Assessoria de Comunicação do Sesc-DF, Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Rádio Nacional da Amazônia e Jornal GuaráHOJE/Cidades são algumas das empresas nas quais teve a oportunidade de trabalhar com alguns dos renomados nomes do jornalismo no Brasil, e não perdeu nenhuma chance de aprender com esses profissionais. Na televisão, atuou na TV local de Patos de Minas em 2017, além de experiências acadêmicas.
Ana Paula Oliveira nasceu em Bonfinópolis de Minas e foi morar em Brasília aos 14 anos e retorna à cidade natal em 2018. Durante os 20 anos em que passou na capital, a bonfinopolitana não desperdiçou as chances de crescer como pessoa e também como profissional, com garra e determinação. Além disso, conquistou algo não menos fundamental na sua caminhada: amigos. Isso mesmo. Para a jornalista não ter verdadeiros amigos significa ter uma vida vazia. E, com certeza, esse é um dos seus objetivos, fazer novos amigos nessa nova jornada da vida..

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